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29 de janeiro - Dia da Visibilidade Trans

Hoje, dia 29 de janeiro, é o Dia da Visibilidade Trans, uma data de luta muito importante para visibilizar as causas do movimento trans.¹

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Segundo uma pesquisa realizada em 2015 pela ONG Transgender Europe, nosso país é responsável por 42% dos 295 casos de assassinatos de pessoas trans registrados no mundo, um número assustador reflete o pensamento transfóbico e misógino extremamente presente em nossa sociedade.


A pesquisa realizada a partir de notícias publicadas em sites e blogs, não é um registro oficial, mas expõe uma amostra de nossa realidade. A própria falta de dados e relatórios oficiais sobre esse tipo de violência demonstra por si própria como a causa trans é invisibilizada em nosso país. Por exemplo, o Brasil não conta nem mesmo com um censo sobre sua população trans.O fato é que, em geral, nossa sociedade ignora a realidade e as demandas da população trans contribuindo para a permanência da intolerância e da transfobia. Como Hailey Kass resume:

Há falta de acessos a todas as instituições sociais, desde o ensino (básico, inclusive — Berenice Bento sugere que muitas pessoas trans* entram no censo de “evasão escolar”,quando, na verdade, dever-se-ia listar como “expulsão escolar”) até atendimento médico, jurídico, enfim, acesso aos serviços e instituições básicas de auxílio e formação do sujeito social. Sabemos, inclusive, que a própria polícia muitas vezes encarrega-se de perpetrar a violência.


Sabemos que as opressões de gênero, classe e raça se entrelaçam. No caso de violências direcionadas às pessoas trans, a intolerância é fruto tanto da transfobia, mas também da misoginia e do racismo. A invisibilidade da população trans junto a tais formas de opressão fazem com que essas pessoas muitas vezes sejam forçadas a viver à margem da sociedade, sem o direito de uma educação de qualidade ou oportunidades no mercado de trabalho. Assim, infelizmente, é comum que as pessoas trans se encontrem em situações de extrema vulnerabilidade, sendo, portanto, alvo de diversas formas de violência.


É preciso que nossa sociedade seja de fato igualitária, garantindo espaço e oportunidades para todas as pessoas. Sem dúvidas, o início de uma sociedade livre discriminações e intolerância se dá através de uma educação não sexista e não discriminatória. É imprescindível que tenhamos educadoras/es orientados e preparados para lidar com a diversidade nas salas de aula de modo que todas as pessoas sejam acolhidas e respeitadas. Dessa forma, conquistas como o direito do nome social são importantes passos a caminho de uma sociedade igualitária. Essa lei é uma pequena mas fundamental vitória para que as pessoas trans sejam respeitadas e integradas à sociedade, por exemplo, na hora de se inscreverem em exames importantes como o ENEM. Nas palavras de Bruna Benevides:


O nome social facilita que tenhamos nossa cidadania garantida na hora da prova. Já é uma batalha fazer o Enem, imagina ter de passar por constrangimentos. Em alguns lugares, têm pessoas que fazem comentários preconceituosos, o que pode até prejudicar o desempenho na hora da prova, quando a pessoa já está ansiosa


Em âmbito municipal no Rio de Janeiro este direito está assegurado através de um decreto da prefeitura: http://www.cedsrio.com.br/public/pdf/39.pdf



Diante de nossa atual conjuntura política marcada por um alarmante conservadorismo, é urgente que a luta feminista esteja atenta e solidária às causas da população trans. É preciso garantir que não haverá qualquer retrocesso, não aceitaremos nenhum direito a menos!



Hoje e todos os dias não podemos nos esquecer que nosso país é o que mais mata pessoas trans no mundo. É nossa responsabilidade lutar por uma sociedade verdadeiramente inclusiva e justa onde todas e todos possam viver com respeito. A CAMTRA presta todo seu apoio às causas da populaçãotrans, estamos juntas na construção de um mundo livre de todo tipo de violência e discriminação! Por mim, por nós e pelas outras!

 

Observação:

Pessoas trans são pessoas com identidade de gênero diferente do sexo biológico. Isso inclui transgêneros, travestis e pessoas sem gênero definido, por exemplo.

Saiba mais: http://www.revistacapitolina.com.br/identidade-de-genero-uma-introducao/



Fontes:

http://www.revistacapitolina.com.br/despatologizando-identidades-trans/

http://blogueirasfeministas.com/2013/02/o-feminicidio-de-mulheres-trans/

http://transfeminismo.com/nome-social-e-direito/

http://blogueirasfeministas.com/2014/01/dois-pesos-e-duas-medidas-sao-fatais-para-transgeneros/

http://www.revistacapitolina.com.br/importancia-das-politicas-de-permanencia-estudantil-para-pessoas-trans/

http://www.brasil.gov.br/educacao/2016/10/cresce-o-uso-de-nome-social-por-travestis-e-transexuais-no-enem

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/11/17/Assassinatos-de-pessoas-trans-a-posi%C3%A7%C3%A3o-do-Brasil-num-ranking-prec%C3%A1rio-mas-simb%C3%B3lico




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