{"id":2302,"date":"2018-11-25T18:09:09","date_gmt":"2018-11-25T20:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/camtra.org.br\/?p=2302"},"modified":"2018-11-25T18:09:09","modified_gmt":"2018-11-25T20:09:09","slug":"dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/2018\/11\/25\/dia-internacional-pela-eliminacao-da-violencia-contra-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>25 de novembro \u00e9 o Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres. A data foi criada no 1\u00ba Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogot\u00e1, em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria das irm\u00e3s Mirabal, Mercedes, Maria Tereza e Minerva, assassinadas pela ditadura militar de Trujillo, na Rep\u00fablica Dominicana, em 1960, neste mesmo dia. <!--more-->As irm\u00e3s eram conhecidas como \u201cLas Mariposas\u201d e lutavam por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra), que atua h\u00e1 21 anos na defesa e promo\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres, soma-se aos esfor\u00e7os de enfrentamento da viol\u00eancia contra as mulheres, uma das mais graves manifesta\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres, limitando o exerc\u00edcio da liberdade, dos direitos e vida das mulheres.<\/p>\n<p>O Brasil ocupa a quinta posi\u00e7\u00e3o no ranking dos pa\u00edses que mais matam mulheres no mundo, de acordo com dados da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Em 2017, a cada dez feminic\u00eddios cometidos na Am\u00e9rica Latina e Caribe, quatro deles ocorreram em nosso pa\u00eds. Os n\u00fameros mostram que, no ano passado, ao menos 2.795 mulheres foram assassinadas na regi\u00e3o, 1.133 delas somente no Brasil.<\/p>\n<p>Na cidade do Rio de Janeiro, apenas entre os dias 15 e 18 de novembro, tr\u00eas mulheres foram mortas por homens com os quais se relacionaram. Rayane Barros de Castro, de 16 anos, foi assassinada com 13 tiros. Fernanda Siqueira, de 29 anos,\u00a0 foi esfaqueada na porta de casa. Em ambos os casos, o motivo alegado para os crimes foi que \u201co ex-companheiro n\u00e3o aceitava o fim do relacionamento\u201d. Bruna de Souza Oliveira, 19 anos, foi estrangulada pelo namorado. Na delegacia, o homem chegou a dizer que a v\u00edtima teve uma convuls\u00e3o, mas acabou confessando que asfixiou Bruna ap\u00f3s uma discuss\u00e3o. A av\u00f3 do rapaz ainda tentou impedir o crime, mas foi atropelada ao pedir ajuda na rua. Outro caso recente de grande repercuss\u00e3o foi o de Karina Garofalo Pereira, executada a tiros na frente do filho, em agosto. Suspeito de ser o mandante do crime, o ex-marido dela foi preso no in\u00edcio de novembro.<\/p>\n<h5>Dossi\u00ea Mulher<\/h5>\n<p>O Dossi\u00ea Mulher, relativo \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher no Estado do Rio de Janeiro e divulgado pelo Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), indica que o n\u00famero de registros de casos de tentativa de feminic\u00eddios cresceu 18,27% em 2018. Entre janeiro e outubro deste ano foram feitos 246 registros em delegacias do estado, enquanto no mesmo per\u00edodo de 2017, ocorreram 208. A cada dez registros, ao menos cinco ocorreram dentro de casa (52,9%). A pesquisa constatou que mais da metade das v\u00edtimas foram assassinadas pelos companheiros (51,5%) ou ex-parceiros (5,9%).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a primeira edi\u00e7\u00e3o do Dossi\u00ea Mulher que re\u00fane estat\u00edsticas de um ano completo a respeito de casos de feminic\u00eddio. At\u00e9 outubro de 2016, o feminic\u00eddio era registrado como homic\u00eddio. A lei do feminic\u00eddio foi sancionada em 2015, e classifica como homic\u00eddio qualificado o assassinato de mulheres por quest\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei Maria da Penha, mais da metade dos casos de les\u00e3o corporal dolosa (65,5%) e de amea\u00e7a (60,7%) tamb\u00e9m ocorreram dentro de casa e foram classificados como viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. As mulheres tamb\u00e9m continuam a ser as maiores v\u00edtimas dos crimes de estupro (84,7% dos casos), amea\u00e7a (67,6%), les\u00e3o corporal dolosa (65,5%), ass\u00e9dio sexual (97,7%) e importuna\u00e7\u00e3o ofensiva ao pudor (92,1%).<\/p>\n<p>O indicador referente a ato obsceno tamb\u00e9m foi inclu\u00eddo pela primeira vez na pesquisa. Em 2017, 194 mulheres procuraram as delegacias para denunciar crimes de ato obsceno, e tais ocorr\u00eancias se somam a outros 595 registros de importuna\u00e7\u00e3o ofensiva ao pudor.<\/p>\n<h5>Mulheres Negras<\/h5>\n<p>Dentro desse resultado alarmante, as mulheres negras s\u00e3o as que mais sofrem os casos de feminic\u00eddio, viol\u00eancia dom\u00e9stica e obst\u00e9trica. As mulheres negras e pardas representam 50,1% das v\u00edtimas de todos os casos de viol\u00eancia apresentados no Dossi\u00ea Mulher. Duas em cada tr\u00eas mulheres v\u00edtimas de homic\u00eddio doloso no Brasil s\u00e3o negras ou pardas. Mais da metade (54,1%) das mortes maternas no pa\u00eds ocorrem entre mulheres negras de 15 a 29 anos. A popula\u00e7\u00e3o negra feminina tamb\u00e9m tem duas vezes mais chance de morrer por causas relacionadas \u00e0 gravidez, ao parto e ao p\u00f3s-parto do que as mulheres brancas.<\/p>\n<h5>Central de Atendimento 180<\/h5>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos, que administra a Central de Atendimento \u00e0 Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia, o Ligue 180, foram registradas no primeiro semestre deste ano quase 80 mil den\u00fancias. De janeiro a julho de 2018, o Ligue 180 registrou 27 feminic\u00eddios, 51 homic\u00eddios, 547 tentativas de feminic\u00eddios e 118 tentativas de homic\u00eddios. No mesmo per\u00edodo, os relatos de viol\u00eancia chegaram a 79.661, sendo os maiores n\u00fameros referentes \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica (37.396) e viol\u00eancia psicol\u00f3gica (26.527).<\/p>\n<p>Entre os relatos de viol\u00eancia, 63.116 foram classificados como viol\u00eancia dom\u00e9stica. Os dados abrangem c\u00e1rcere privado, esporte sem ass\u00e9dio, homic\u00eddio, tr\u00e1fico de pessoas, tr\u00e1fico internacional de pessoas, tr\u00e1fico interno de pessoas e as viol\u00eancias f\u00edsica, moral, obst\u00e9trica, patrimonial, psicol\u00f3gica e sexual.<\/p>\n<p>J\u00e1 o 12\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro da Seguran\u00e7a P\u00fablica registrou mais de 60 mil den\u00fancias de estupro em 2017, uma m\u00e9dia 164 casos por dia. Como a taxa de subnotifica\u00e7\u00e3o desse tipo de crime \u00e9 alta (estima-se que apenas entre 7,5% e 10% sejam comunicados \u00e0 pol\u00edcia), o total de casos pode passar dos 500 mil por ano. O que representa um aumento de 2% no n\u00famero de casos registrados em compara\u00e7\u00e3o a 2016. Ano passado, 193 mil mulheres registraram queixa por viol\u00eancia dom\u00e9stica. \u00c9 uma m\u00e9dia de 530 mulheres que acionam a lei Maria da Penha por dia, ou seja, 22 por hora. Neste caso, houve queda de 1% em rela\u00e7\u00e3o a 2016.<\/p>\n<h5>Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais<\/h5>\n<p>Vergonhosamente, o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 feita tendo como base os dados da ONG Internacional Transgender Europe (TGEU). Em 94% dos casos notificados, os assassinatos foram contra pessoas do g\u00eanero feminino. No recorte por ra\u00e7a\/cor, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o trans assassinada foi identificada como pessoas negras e pardas, chegando aos 80%. Por faixa et\u00e1ria, 67,9% das v\u00edtimas tinham entre 16 e 29 anos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a taxa de homic\u00eddios de pessoas transexuais em 2017 foi a maior registrada nos \u00faltimos dez anos, segundo dados do Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Em 2017, 179 pessoas transexuais e travestis foram assassinadas, um aumento de 15% nos homic\u00eddios desta popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2016. Isso significa que, a cada 48 horas, uma pessoa trans \u00e9 assassinada no Brasil.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o \u00e9 o mundo que a gente quer! Continuaremos em luta pela transforma\u00e7\u00e3o desta cultura patriarcal e mis\u00f3gina e por\u00a0 pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o a integridade e vida das mulheres. Por mim, por n\u00f3s e pelas outras!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25 de novembro \u00e9 o Dia Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres. 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