{"id":3934,"date":"2020-03-02T16:58:28","date_gmt":"2020-03-02T19:58:28","guid":{"rendered":"https:\/\/camtra.org.br\/?p=3934"},"modified":"2020-03-02T16:58:28","modified_gmt":"2020-03-02T19:58:28","slug":"fala-trabalhadora-vanessa-melo-vendedora-ambulante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/2020\/03\/02\/fala-trabalhadora-vanessa-melo-vendedora-ambulante\/","title":{"rendered":"Fala, Trabalhadora! Vanessa Melo: Resist\u00eancia e afetividade s\u00e3o marcas da vendedora ambulante"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<b>Vanessa Melo: Resist\u00eancia e afetividade s\u00e3o as marcas da vendedora ambulante<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cBoa tarde, querida. Qual n\u00famero voc\u00ea quer?\u201d, \u00e9 assim que Vanessa Melo recebe seus clientes em sua banca de chinelos na Pra\u00e7a do Largo da Carioca (Centro\/RJ). Com muita atitude e for\u00e7a, a vendedora sa\u00ed \u00e0s 7 horas da manh\u00e3 de Miguel Couto, Nova Igua\u00e7u, para estar no centro do Rio, \u00e0s 10 horas e come\u00e7ar mais um dia trabalho. \u201cAndo do Largo da Carioca para Central. Na Central do Brasil, eu pego um \u00f4nibus ou trem. Quando chego em Nova Igua\u00e7u, entro em outro \u00f4nibus e vou andando para casa. Levo no carrinho \u00e0 grade e os chinelos. Fico feliz da vida. O importante \u00e9 estar trabalhando e levar o sustento para a fam\u00edlia\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3932 aligncenter\" src=\"https:\/\/novo2023.camtra.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/vanessa-1dddd-1-1024x781.png\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"498\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria de Vanessa Melo \u00e9 de longa data, em 2001, ap\u00f3s se ver desempregada e com filhos para criar, decidiu ir para as ruas garantir uma renda no final do dia. No in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria, os produtos que vendia eram variados: \u00f3culos, bijuterias e at\u00e9 bombons, sempre o que estava em evid\u00eancia, \u201cJ\u00e1 vendi de tudo. Hoje, s\u00f3 chinelo \u00e9 muito cansativo. Porque \u00e9 borracha e pesa\u201d, diz. O dia a dia para quem trabalha nas ruas n\u00e3o \u00e9 brincadeira. Historicamente, as\/os camel\u00f4s e o poder p\u00fablico, infelizmente parecem estar sempre em conflito. Nisso, a repress\u00e3o policial \u00e9 uma realidade vivenciada diariamente por ambulantes que n\u00e3o possuem a licen\u00e7a do munic\u00edpio para estar no local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o h\u00e1 qualquer desconto para as mulheres, m\u00e3es e trabalhadoras que atuam na profiss\u00e3o. Dados de uma pesquisa realizada pelo Observat\u00f3rio da Metr\u00f3pole &#8211; Projeto Morar, Trabalhar e Viver no Centro, em 2018, apontou que 27 mulheres entrevistadas afirmaram ter tido suas mercadorias apreendidas pela Guarda Municipal do Rio. Uma realidade com a qual Vanessa convive diariamente: \u201cEm 2001, eu corria o dia inteiro dos guardas municipais que n\u00e3o deixavam trabalhar, ent\u00e3o existia a guerra, os camel\u00f4s lutavam para continuar nas ruas. Hoje a repress\u00e3o est\u00e1 menor, mas \u00e0s vezes os guardas vem a mando da prefeitura. Agora est\u00e1 melhor estou conseguindo ficar uns dias sem ter medo de ser retirada\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Com a crise financeira que assola todo o Estado, o desemprego em alta e o sal\u00e1rio m\u00ednimo em baixa s\u00e3o os motivos que mant\u00e9m a vendedora ambulante no of\u00edcio, mas sua fam\u00edlia \u00e9 o motivo principal. M\u00e3e de 4 filhos e 2 netos a mo\u00e7a t\u00edmida e simp\u00e1tica carrega no seu celular a foto de seus pequenos buscando amenizar a rotina, \u201cmeus filhos reclamam bastante, &#8216;m\u00e3e, voc\u00ea n\u00e3o p\u00e1ra em casa?\u2019. Ontem eu cheguei \u00e0s 23 horas, levei as compras e fui dormir, e hoje \u00e0s 7 horas da manh\u00e3 eu j\u00e1 estava saindo de casa. Eu vejo eles, vou l\u00e1 na cama e conto 1, 2, 3 e 4, mas eles nem me v\u00eaem.\u201d conta Vanessa. \u201cQuando estou no trabalho que eu falo com eles, envio mensagem para Lynda de 15 anos e j\u00e1 digo o que tem para fazer em casa mas eu quase n\u00e3o tenho momentos com meus filhos. Eu sinto muito falta deles, principalmente da minha neta Sophia de 3 anos. Ela quer vir trabalhar comigo, mas como vou trazer? Se tem uma corrida n\u00e3o tem como levar crian\u00e7a e mercadoria na hora. Seria bom se eu pudesse chegar mais cedo um pouquinho\u201d, lamenta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acontecimentos inusitados envolvendo turistas estrangeiros tamb\u00e9m ocorrem na jornada de Vanessa, \u201csempre que os gringos aparecerem na minha banca eu n\u00e3o entendo nada \u2013 porque n\u00e3o falo ingl\u00eas, s\u00f3 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">thank you<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (obrigada). Engra\u00e7ado s\u00e3o eles (turistas) tentando falar as numera\u00e7\u00f5es dos cal\u00e7ados e acabam levando. Eu pe\u00e7o para experimentarem mas preferem levar o n\u00famero pequeno. Eu concordo que est\u00e1 certo, importante \u00e9 vender\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2009, a CAMTRA produziu a pesquisa\u00a0 \u201cA informalidade \u00e9 formal\u201d, na qual entrevistamos 201 trabalhadoras na cidade do Rio. A vulnerabilidade social, principalmente das trabalhadoras negras e m\u00e3es, foi o ponto mais chamativo dos dados. Para Vanessa Melo, a opress\u00e3o acontece tamb\u00e9m pela falta de di\u00e1logo entre a categoria das trabalhadoras\/es ambulantes e os governantes. \u201cFalta uma boa conversa. N\u00e3o custa nada voc\u00ea deixar uma barraca na cal\u00e7ada, as pessoas passam para comprar. Os lojistas falam &#8216;quando os camel\u00f4s n\u00e3o est\u00e3o por perto diminui o fluxo de pedestres&#8217;. N\u00e3o tem essa popula\u00e7\u00e3o entrando no com\u00e9rcio local. Minha l\u00f3gica \u00e9 a seguinte: deixar um espa\u00e7o para passagem e outro para venda. Ser\u00e1 bom para todos os lados e ainda gera riqueza para o pa\u00eds\u201d, finaliza.<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-3930\" src=\"https:\/\/camtra.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/507ccada-40f0-489a-8327-c3dacd315b01-768x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/camtra.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/507ccada-40f0-489a-8327-c3dacd315b01-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/camtra.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/507ccada-40f0-489a-8327-c3dacd315b01-225x300.jpeg 225w, https:\/\/camtra.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/507ccada-40f0-489a-8327-c3dacd315b01.jpeg 960w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/p>\n<p><strong>Texto por Beatriz Carvalho, jornalista e fundadora do neg\u00f3cio social Mulheres De Frente.<\/strong>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sess\u00e3o &#8220;Fala, Trabalhadora!&#8221; , a Camtra escuta trabalhadoras de diversos segmentos sobre como elas vivenciam e s\u00e3o afetadas por diversas quest\u00f5es que concerne as mulheres  e trabalho: tal como direitos das mulheres, direito \u00e0 cidade, maternidade, racismo, viol\u00eancia, entre outros temas. <\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":5445,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"ocean_post_layout":"","ocean_both_sidebars_style":"","ocean_both_sidebars_content_width":0,"ocean_both_sidebars_sidebars_width":0,"ocean_sidebar":"","ocean_second_sidebar":"","ocean_disable_margins":"enable","ocean_add_body_class":"","ocean_shortcode_before_top_bar":"","ocean_shortcode_after_top_bar":"","ocean_shortcode_before_header":"","ocean_shortcode_after_header":"","ocean_has_shortcode":"","ocean_shortcode_after_title":"","ocean_shortcode_before_footer_widgets":"","ocean_shortcode_after_footer_widgets":"","ocean_shortcode_before_footer_bottom":"","ocean_shortcode_after_footer_bottom":"","ocean_display_top_bar":"default","ocean_display_header":"default","ocean_header_style":"","ocean_center_header_left_menu":"","ocean_custom_header_template":"","ocean_custom_logo":0,"ocean_custom_retina_logo":0,"ocean_custom_logo_max_width":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_width":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_width":0,"ocean_custom_logo_max_height":0,"ocean_custom_logo_tablet_max_height":0,"ocean_custom_logo_mobile_max_height":0,"ocean_header_custom_menu":"","ocean_menu_typo_font_family":"","ocean_menu_typo_font_subset":"","ocean_menu_typo_font_size":0,"ocean_menu_typo_font_size_tablet":0,"ocean_menu_typo_font_size_mobile":0,"ocean_menu_typo_font_size_unit":"px","ocean_menu_typo_font_weight":"","ocean_menu_typo_font_weight_tablet":"","ocean_menu_typo_font_weight_mobile":"","ocean_menu_typo_transform":"","ocean_menu_typo_transform_tablet":"","ocean_menu_typo_transform_mobile":"","ocean_menu_typo_line_height":0,"ocean_menu_typo_line_height_tablet":0,"ocean_menu_typo_line_height_mobile":0,"ocean_menu_typo_line_height_unit":"","ocean_menu_typo_spacing":0,"ocean_menu_typo_spacing_tablet":0,"ocean_menu_typo_spacing_mobile":0,"ocean_menu_typo_spacing_unit":"","ocean_menu_link_color":"","ocean_menu_link_color_hover":"","ocean_menu_link_color_active":"","ocean_menu_link_background":"","ocean_menu_link_hover_background":"","ocean_menu_link_active_background":"","ocean_menu_social_links_bg":"","ocean_menu_social_hover_links_bg":"","ocean_menu_social_links_color":"","ocean_menu_social_hover_links_color":"","ocean_disable_title":"default","ocean_disable_heading":"default","ocean_post_title":"","ocean_post_subheading":"","ocean_post_title_style":"","ocean_post_title_background_color":"","ocean_post_title_background":0,"ocean_post_title_bg_image_position":"","ocean_post_title_bg_image_attachment":"","ocean_post_title_bg_image_repeat":"","ocean_post_title_bg_image_size":"","ocean_post_title_height":0,"ocean_post_title_bg_overlay":0.5,"ocean_post_title_bg_overlay_color":"","ocean_disable_breadcrumbs":"default","ocean_breadcrumbs_color":"","ocean_breadcrumbs_separator_color":"","ocean_breadcrumbs_links_color":"","ocean_breadcrumbs_links_hover_color":"","ocean_display_footer_widgets":"default","ocean_display_footer_bottom":"default","ocean_custom_footer_template":"","ocean_post_oembed":"","ocean_post_self_hosted_media":"","ocean_post_video_embed":"","ocean_link_format":"","ocean_link_format_target":"self","ocean_quote_format":"","ocean_quote_format_link":"post","ocean_gallery_link_images":"on","ocean_gallery_id":[],"footnotes":""},"categories":[232,89],"tags":[],"class_list":["post-3934","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-fala-trabalhadora","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3934\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5445"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}