{"id":4976,"date":"2020-05-13T15:21:25","date_gmt":"2020-05-13T18:21:25","guid":{"rendered":"https:\/\/camtra.org.br\/?p=4976"},"modified":"2020-05-13T15:21:25","modified_gmt":"2020-05-13T18:21:25","slug":"13-de-maio-racismo-e-a-pandemia-do-covid-19-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/2020\/05\/13\/13-de-maio-racismo-e-a-pandemia-do-covid-19-no-brasil\/","title":{"rendered":"13 de maio: Racismo e a pandemia do COVID-19 no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, dia 13 de maio, \u00e9 a data que marca o dia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, em 13 de maio de 1988. No entanto, o registro foi apropriado pelo movimento e ativismo negro como a data da \u201cFalsa aboli\u00e7\u00e3o\u201d, como uma forma de denunciar as estruturas racistas e de subalterniza\u00e7\u00e3o das negras e negros que permaneceram permanecem mesmo ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o.<\/span><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo com a assinatura da Lei \u00c1urea, as negras e negros continuaram sendo impedidos de acessar a educa\u00e7\u00e3o formal, de adquirir ou comprar terras e propriedades, foram discriminadas no acesso trabalho remunerado. Ao mesmo tempo em que criou-se leis para punir e marginalizar essa popula\u00e7\u00e3o como por exemplo a criminaliza\u00e7\u00e3o da capoeira, o crime de vadiagem, entre outras. Hoje, passados 202 anos, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a popula\u00e7\u00e3o negra continua a ser a maioria entre os mais pobres, entre as\/os trabalhadoras\/es informais e precarizadas\/os, entre a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria e s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia letal. Por consequ\u00eancias do racismo e machismo estruturais em nossa sociedade, as mulheres negras est\u00e3o entre as que mais sofrem viol\u00eancia e feminic\u00eddio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse contexto que a pandemia de COVID-19 tem tamb\u00e9m um reflexo e um peso maior nessa popula\u00e7\u00e3o. No campo da Sa\u00fade, estudos j\u00e1 v\u00eam mostrando que assim como aconteceu em outros pa\u00edses, negras e negros t\u00eam maior chance de morrer em decorr\u00eancia do coronav\u00edrus no Brasil. Embora em n\u00fameros gerais, pretas e pardas s\u00e3o menos afetadas pela doen\u00e7a, elas(es) quase 1 em cada 4 dos brasileiros hospitalizados com S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (23,1%) mas chegam a 1 em cada 3 entre os mortos por Covid-19 (32,8%)\u00b9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como at\u00e9 o momento n\u00e3o foi apresentado pela comunidade m\u00e9dica nenhuma vulnerabilidade gen\u00e9tica espec\u00edfica da popula\u00e7\u00e3o negra para a doen\u00e7a, esses dados podem ser explicados pelo acesso historicamente prec\u00e1rio e deficit\u00e1rio em Sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra. Sendo assim, negras e negros n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o diagnosticados e tratadas tardiamente (ou muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o) como tamb\u00e9m apresentam comorbidades que interferem na letalidade do v\u00edrus.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda de acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a067%\u00b2 das brasileiras(os) que dependem exclusivamente do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade) s\u00e3o negras(os), e estes tamb\u00e9m s\u00e3o maioria das\/os pacientes com diabetes, tuberculose, hipertens\u00e3o e doen\u00e7as renais cr\u00f4nicas no pa\u00eds \u2014todos considerados agravantes para o desenvolvimento de quadros mais gravosos da Covid-19. Fora isso, \u00e9 necess\u00e1rio ainda levar em considera\u00e7\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e de higiene da popula\u00e7\u00e3o. Favelas, periferias e bairros de maioria negra\u00b3 s\u00e3o possuem saneamento b\u00e1sico, coleta de lixo regular, servi\u00e7o de tratamento ou distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua escassos e deficit\u00e1rios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No campo da renda, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio frisar que a popula\u00e7\u00e3o negra, sobretudo as mulheres negras, s\u00e3o quem recebe os piores sal\u00e1rios e tamb\u00e9m s\u00e3o a maioria entre as trabalhadoras informais, ambulantes e aut\u00f4nomas. Ou seja: \u00e0quelas que menos t\u00eam seguridade de renda e mais sofrem atualmente com as medidas, necess\u00e1rias, de conten\u00e7\u00e3o da epidemia, como o isolamento social, redu\u00e7\u00e3o do fluxo de pessoas, fechamento de servi\u00e7os e atividades.<\/span><\/p>\n<h4><strong>\u00c9 preciso frisar ainda o peso do trabalho dom\u00e9stico sobre a vida das mulheres negras, seja a sobrecarga de trabalho dentro de casa o que se agrava com o fechamento de de escolas e creches e ainda\u00a0 pessoas doentes nas fam\u00edlias, por conta da pandemia do novo coronav\u00edrus. Afetando a sa\u00fade mental e f\u00edsica dessas mulheres. Al\u00e9m disto, as mulheres negras tamb\u00e9m desempenham as tarefas de cuidados para outras fam\u00edlias, constituindo 3,7 milh\u00f5es de mulheres s\u00e3o pretas e pardas s\u00e3o empregadas dom\u00e9sticas no Brasil(*4). Categoria extremamente afetada pela pandemia, visto, que de um lado dom\u00e9sticas, que mesmo com as medidas de isolamento social n\u00e3o s\u00e3o liberadas de seu trabalho. Muitas vezes ent\u00e3o sendo pressionadas a conviver com as empregadoras\/es em quarentena e at\u00e9 mesmo contaminadas pelo v\u00edrus.\u00a0<\/strong><\/h4>\n<h4><strong>As mulheres negras est\u00e3o ainda na linha de frente do enfrentamento a pandemia, seja atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es de solidariedade tocadas pelas\u00a0 l\u00edderes comunit\u00e1rias, seja entre as profissionais que atuam nas unidades de sa\u00fade e servi\u00e7os de assist\u00eancia social, em territ\u00f3rios marginalizados, como periferias e favelas.\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isso, nesse dia e diante desse contexto, a CAMTRA se une \u00e0s nossas companheiras(os) e ativistas negras e negros para denunciar a falsa aboli\u00e7\u00e3o e\u00a0 o racismo estrutural que sustenta esse pa\u00eds. Sendo assim, a pandemia de coronav\u00edrus n\u00e3o pode ser mais um mecanismo de genoc\u00eddio e vulnerabilidade para essa popula\u00e7\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exigimos<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">a divulga\u00e7\u00e3o de dados de ra\u00e7a\/cor nos pain\u00e9is de monitoramento, boletins epidemiol\u00f3gicos, notas t\u00e9cnicas, e demais documentos oficiais relativos \u00e0 Covid-19; exigimos que as pol\u00edticas de sa\u00fade de resposta a pandemia inclu\u00eda as particularidades e as vulnerabilidades da popula\u00e7\u00e3o negra, favelada e perif\u00e9rica e o apoio socioecon\u00f4mico \u00e0s trabalhadoras e trabalhadores negros e negros afetados pelo pandemia do coronav\u00edrusaux\u00ed lio emergencial e dinheiro na m\u00e3o j\u00e1!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"> A vida e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o negra e das mulheres importam!<\/span><\/p>\n<p>FONTES:<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*\u00b9<\/span><a href=\"https:\/\/www.saude.gov.br\/images\/pdf\/2020\/April\/18\/2020-04-17---BE11---Boletim-do-COE-21h.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.saude.gov.br\/images\/pdf\/2020\/April\/18\/2020-04-17&#8212;BE11&#8212;Boletim-do-COE-21h.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b2<\/span><a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b3<\/span><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/retrato\/pdf\/primeiraedicao.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.ipea.gov.br\/retrato\/pdf\/primeiraedicao.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">4* <\/span><a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101388_informativo.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101388_informativo.pdf<\/span><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">5* <\/span><a href=\"http:\/\/www.cofen.gov.br\/perfilenfermagem\/index.html\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/www.cofen.gov.br\/perfilenfermagem\/index.html<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, dia 13 de maio, \u00e9 a data que marca o dia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, em 13 de maio de 1988. 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