{"id":5414,"date":"2020-06-26T12:27:41","date_gmt":"2020-06-26T15:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/camtra.org.br\/?p=5414"},"modified":"2020-06-26T12:27:41","modified_gmt":"2020-06-26T15:27:41","slug":"dia-mundial-de-apoio-as-vitimas-de-tortura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/2020\/06\/26\/dia-mundial-de-apoio-as-vitimas-de-tortura\/","title":{"rendered":"Dia Mundial de apoio \u00e0s V\u00edtimas de Tortura"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p><strong>Por Eleut\u00e9ria Amora &#8211; Coordenadora-Geral da CAMTRA<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;A tortura no Brasil \u00e9 cultural, generalizada e sistem\u00e1tica. Come\u00e7ou no per\u00edodo da escravid\u00e3o e se mant\u00e9m at\u00e9 hoje (\u2026) A voca\u00e7\u00e3o brasileira para a tortura se solidificou porque os torturadores n\u00e3o s\u00e3o punidos.<\/em>&#8221; Margarida Pressburger, integrante do Subcomit\u00ea da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Organiza%C3%A7%C3%A3o_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>\u00a0(ONU), 2016.<\/p>\n<p>A CAMTRA, desde sua cria\u00e7\u00e3o, assumiu o compromisso de luta contra todas as formas de viol\u00eancia, f\u00edsica, psicol\u00f3gica, patrimonial contra as mulheres que se estende a todas as pessoas, independente de g\u00eanero, ra\u00e7a e etnia.Neste dia 26 de junho, em que \u00e9 comemorado o\u00a0<strong>Dia Internacional de Apoio \u00e0s V\u00edtimas de Tortura<\/strong> data institu\u00edda pela ONU em 1997, incluindo a assinatura por parte dos Estados membro da Organiza\u00e7\u00e3o a Conven\u00e7\u00e3o contra a Tortura, nos juntamos \u00e0s todas a vozes mundiais em luta contra qualquer tipo de tortura. A tortura nos torna menores, a tortura \u00e9 uma dor para quem \u00e9 torturada, para as que sobrevivem deixa sequelas para o resto de suas vidas e \u00e9 uma mazela para toda a sociedade. <strong>N\u00e3o se cale, traga sua a sua dor, a sua humilha\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a sua for\u00e7a, a nossa for\u00e7a, para enfrentarmos as injusti\u00e7as, e seguirmos na nossa resist\u00eancia por direitos!<\/strong><\/p>\n<p>De acordo Syvia Diniz assessora jur\u00eddica e representante da Associa\u00e7\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o da Tortura (APT) no Brasil, \u00e9 preciso conhecer quem s\u00e3o, quem s\u00e3o os torturadores e onde eles atuam. \u00c9 preciso tamb\u00e9m perguntar, a despeito da lei n\u00ba 9.455\/1997 (que tipificou o crime de tortura no Brasil) e da lei n\u00ba 12.847\/2013 (que criou o Sistema Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate a Tortura), quais a\u00e7\u00f5es t\u00eam sido efetivamente colocadas em pr\u00e1tica para a investiga\u00e7\u00e3o dos acusados e para a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos autores de tortura. De igual maneira, deve-se questionar quais programas e servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas que funcionem.<\/p>\n<p><strong>Mulheres Torturadas na ditadura<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O Projeto Brasil Nunca Mais analisou os casos de 7.367 militantes processados pela justi\u00e7a militar, e destes 12% eram mulheres. O Estado Maior do Ex\u00e9rcito fez um levantamento de presos pol\u00edticos que se encontravam nos quart\u00e9is, num determinado momento do ano de 1970 e chegou a um total de mais de 500 militantes. Desse total, 56% eram estudantes, com idade m\u00e9dia de 23 anos, 26% eram mulheres. Na Guerrilha do Araguaia, ocorrida no sul do Par\u00e1, entre 1972 e 1975, dos 70 guerrilheiros\/as desaparecidos, 17% eram mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>As torturas praticadas nas mulheres, assim como nos homens, faziam parte da estrat\u00e9gia pol\u00edtica de Estado. Ainda sob a ditadura militar, homens e mulheres denunciaram perante a Justi\u00e7a Militar as torturas sofridas, mesmo que isso representasse um s\u00e9rio risco que elas voltassem a acontecer. Segundo o Projeto Brasil Nunca Mais, 1843 pessoas denunciaram frente aos tribunais as torturas a que foram submetidas e nenhuma provid\u00eancia foi tomada, por parte da justi\u00e7a militar ou de qualquer inst\u00e2ncia de poder, no sentido de investigar e impedir tais atrocidades.<\/p>\n<p><strong>A tortura como pr\u00e1tica sistem\u00e1tica no Brasil atual<\/strong><\/p>\n<p>Com a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Redemocratiza%C3%A7%C3%A3o\">redemocratiza\u00e7\u00e3o<\/a>, em 1985, cessou a pr\u00e1tica da tortura com fins pol\u00edticos. Mas as t\u00e9cnicas foram incorporadas por muitos policiais, que passaram a aplic\u00e1-las contra os presos comuns, suspeitos ou detentos, principalmente quando\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Negros_do_Brasil\">negros<\/a>\u00a0e pobres, ou, nas \u00e1reas rurais,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Povos_ind%C3%ADgenas_do_Brasil\">ind\u00edgenas<\/a>. Entre as principais t\u00e9cnicas de tortura aplicadas no per\u00edodo, podem ser citadas\u02d0 o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Afogamento\">afogamento<\/a>, a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cadeira_do_drag%C3%A3o\">cadeira do drag\u00e3o<\/a>\u00a0(esp\u00e9cie de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cadeira_el%C3%A9trica\">cadeira el\u00e9trica<\/a>),\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Espancamento\">espancamentos<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Soro_da_verdade\">soro da verdade<\/a>\u00a0(<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Droga\">droga<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Inje%C3%A7%C3%A3o\">injet\u00e1vel<\/a>\u00a0que deixa a v\u00edtima em estado de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sonol%C3%AAncia\">sonol\u00eancia<\/a>), a geladeira (pequena caixa em que a v\u00edtima era confinada e sofria com oscila\u00e7\u00f5es extremas de temperatura e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Barulho\">barulhos<\/a>\u00a0perturbadores) e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pau_de_arara_(tortura)\">pau de arara<\/a>.<\/p>\n<p>Embora a tortura no Brasil esteja associada ao per\u00edodo da ditatura se faz nececess\u00e1rio trazer a luz da sociedade que existem pr\u00e1ticas de torturas como mecanismo da nega\u00e7\u00e3o \u00e0 vida humana, as pris\u00f5es est\u00e3o superlotadas, de mulheres e homens que s\u00e3o submetidos a todo tipo de barb\u00e1rie, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio sistema prisional.<\/p>\n<p>No Brasil a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, o levantamento realizado pelo Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen), em 2016, aponta que a popula\u00e7\u00e3o presa \u00e9 predominantemente composta por pretos e pardos (65%), identifica\u00e7\u00f5es de cor que comp\u00f5em o grupo racial negro.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/\">https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tortura_no_Brasil\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tortura_no_Brasil<\/a><\/p>\n<p>www.almapreta.com\/editorias\/realidade\/negros-e-perifericos-sao-os-mais-afetados-pelo-aumento-da-populacao-carceraria-no-brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> N\u00e3o se cale, traga sua a sua dor, a sua humilha\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a sua for\u00e7a, a nossa for\u00e7a, para enfrentarmos as injusti\u00e7as, e seguirmos na nossa resist\u00eancia por 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