{"id":7552,"date":"2021-06-15T08:41:54","date_gmt":"2021-06-15T11:41:54","guid":{"rendered":"https:\/\/camtra.org.br\/?p=7552"},"modified":"2021-06-15T08:41:54","modified_gmt":"2021-06-15T11:41:54","slug":"nos-as-mulheres-idosas-resistencias-e-aprendizados-em-tempo-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camtra.org.br\/index.php\/2021\/06\/15\/nos-as-mulheres-idosas-resistencias-e-aprendizados-em-tempo-de-covid-19\/","title":{"rendered":"N\u00f3s, as Mulheres idosas: Resist\u00eancias e Aprendizados em Tempo de Covid-19"},"content":{"rendered":"<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<p>\u201c[&#8230;] paremos de trapacear; o sentido de nossa vida est\u00e1 em quest\u00e3o no futuro que nos espera; n\u00e3o sabemos quem somos, se ignorarmos quem seremos: aquele velho, aquela velha, reconhe\u00e7amo-nos neles.\u201d<br \/>\n(Simone de Beauvoir, 1970, p.12)<!--more--><\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra n\u00f3s mulheres permeia toda a nossa exist\u00eancia. Desde que nascemos, \u00e9 sempre um risco, da inf\u00e2ncia \u00e0 velhice, as viol\u00eancias s\u00e3o diversas: patrimonial, f\u00edsica, psicol\u00f3gica, financeira ou at\u00e9 o feminic\u00eddio. Mas s\u00e3o nas idades dos extremos, seja quando crian\u00e7a, seja na velhice, que costumam nos ferir de forma mais agressiva, pois n\u00e3o existe nem a possibilidade da rea\u00e7\u00e3o e no caso da mulher idosa, em geral, o contexto familiar e da idade avan\u00e7ada s\u00e3o os fatores que a tornam mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>A casa nunca protegeu ou foi um lugar seguro para mulheres, nem mesmo para as idosas. Existe um silenciamento sobre a quest\u00e3o das viol\u00eancias sofridas pelas mulheres idosas, acima de 60 anos, que costumam ser praticadas por filhos e parentes pr\u00f3ximos. Elas est\u00e3o sendo muito afetadas pela pandemia, a depender da classe social, s\u00e3o respons\u00e1veis pelos cuidados da casa, das netas, dos netos e das pessoas doentes da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Est\u00e3o no topo da pir\u00e2mide da rede de cuidados. Al\u00e9m de tudo isso, muitas ainda trabalham fora de casa, mesmo na pandemia e sendo a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, est\u00e3o arriscando suas vidas, trabalhando e contribuindo ou mesmo sustentando as despesas da casa.<\/p>\n<h2>Viol\u00eancia contra Mulheres Idosas no Brasil<\/h2>\n<p>Em 2019, dados da Central Judicial do Idoso (CJI\/DF) atendeu 192 casos de viol\u00eancia. A popula\u00e7\u00e3o do sexo feminino est\u00e1 entre o maior n\u00famero de v\u00edtimas, com o total de 115 v\u00edtimas. Em 124 agress\u00f5es, os autores eram os pr\u00f3prios filhos e, muitas vezes, uma den\u00fancia traz mais de um tipo de viol\u00eancia. Houve um total de 272 registros de viol\u00eancia para os 192 acolhimentos do \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Os filhos contabilizam a maior parte dos agressores, com o total de 65% (124 casos), seguidos de outros familiares com 19% das ocorr\u00eancias (36 registros) e 7% de pessoas conhecidas (15 dos casos), grupo no qual est\u00e3o inclu\u00eddos amigos, cuidadores e vizinhos. A faixa et\u00e1ria com maior n\u00famero de den\u00fancias foi de 60 a 69 anos (60 casos, 32%), e em segundo lugar aquelas entre 70 e 79 anos e 80 e 89 anos, com 46 casos em cada uma.<\/p>\n<p>Neglig\u00eancia, viol\u00eancia psicol\u00f3gica, abuso financeiro e econ\u00f4mico est\u00e3o entre os tipos de viol\u00eancia mais praticados contra as pessoas idosas no Brasil. \u201cCom a pandemia, as den\u00fancias aumentaram\u201d, afirma mestra em gerontologia e presidenta destitu\u00edda do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (CNDI), L\u00facia Secoti. Dados da secretaria nacional de promo\u00e7\u00e3o e defesa dos direitos da pessoa idosa, oriundos do Disque 100, apontam que, em mar\u00e7o de 2020, foram registradas 3 mil den\u00fancias, em abril, esse \u00edndice passou para 8 mil e, em maio, foi para quase 17 mil.<\/p>\n<h3>Feminismo sem tr\u00e9gua!<\/h3>\n<p>N\u00f3s da Camtra, que somos uma organiza\u00e7\u00e3o feminista, devemos aumentar nossos esfor\u00e7os para fortalecer as vozes das mulheres idosas, para que possam romper com o silenciamento e o sofrimento, na contra m\u00e3o da juventude de corpos perfeitos, valorizados por uma sociedade capitalista, patriarcal e mis\u00f3gina. Nossos corpos, embora representem a nossa experi\u00eancia humana de vida, s\u00e3o descart\u00e1veis e agora j\u00e1 s\u00e3o um incomodo, pois est\u00e3o fl\u00e1cidos. A vida \u00e9 curta e muitas de n\u00f3s continuamos trabalhando, mas o nosso valor \u00e9 quase nada.<\/p>\n<p>Tudo isso nos faz pensar na luta cotidiana das mulheres negras que trabalham at\u00e9 morrer, quase nunca tem aposentadoria. E tamb\u00e9m nas mulheres l\u00e9sbicas velhas, discriminadas quando novas, por sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. Agora, velhas, quem vai nos amparar? A fam\u00edlia? As amigas, amigos, parentes? Qual o c\u00f4modo da casa que sobrou para n\u00f3s?<\/p>\n<p>Nossa luta como feministas \u00e9 garantir pol\u00edticas p\u00fablicas para todas, lutar e resistir, porque enquanto h\u00e1 vida, h\u00e1 luta. Mulheres idosas resistem. Somos portadoras de direitos garantidos pelo Estatuto do Idoso, por nossa <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>\u00a0e tamb\u00e9m pela Lei Maria da Penha, Lei n\u00ba 11.340\/2006.<\/p>\n<p>Celebremos, portanto, esse dia 15 de junho, Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra a Pessoa Idosa, data institu\u00edda em 2006, pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Viol\u00eancia \u00e0 Pessoa Idosa (INPES).<\/p>\n<p>Fontes: http:\/\/conselho.saude.gov.br\/ultimas-noticias-cns\/1299-pandemia-aumenta-denuncias-de-negligencia-contra-populacao-idosa-no-brasil |\u00a0https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/cidades\/2020\/06\/15\/interna_cidadesdf,863933\/mulheres-idosas-sao-as-mais-agredidas-filhos-costumam-ser-os-agresso.shtml | Beauvoir, Simone. 1976. A velhice: realidade inc\u00f4moda. (2a ed.). DIFEL, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Leia mais:\u00a0<a href=\"https:\/\/camtra.org.br\/cada-vez-mais-elevada-faixa-etaria-de-mulheres-trabalhadoras-domesticas-representa-mudanca-na-classe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Cada vez mais elevada, faixa et\u00e1ria de mulheres trabalhadoras dom\u00e9sticas representa mudan\u00e7a na classe<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c[&#8230;] paremos de trapacear; o sentido de nossa vida est\u00e1 em quest\u00e3o no futuro que nos espera; n\u00e3o sabemos quem somos, se ignorarmos quem seremos: aquele velho, aquela velha, reconhe\u00e7amo-nos 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